quarta-feira, 1 de julho de 2020

Assédio intra partidário


A fúria do último escuteiro


O sr. dr. Medina, primo edil desta nossa pátria, eterno aspirante à sucessão de Costa, por alta recreação ou por delegação do mestre e em pleno acto de bullying político ou simplesmente devido àquela ansiedade basal que nos assalta o espírito quando a realidade nos atinge à queima roupa, decidiu agora que a situação se agrava encontrar na melancólica incompetência das sra.s dra.s Freitas e Temido a causa raiz de todos os problemas que afectam o distrito da capital. 

Também alguém por aí se passeou anunciando a intervenção de um qualquer onírico taumaturgo e o exemplo miraculoso que portugalzinho terá sido para o resto da europa. Sente-se agora um marcado enfado em relação a essas palavras e à atitude de pedagogo infantil dos tempos da outra senhora de quem as produziu. Não deixa de ser peculiar que o seu autor nunca seja directamente nomeado. 

Voltando ao sr. dr. Medina. 

Não tivesse esse sr. a falta de pudor de ser em simultâneo político no activo e comentador televisivo residente, e tivesse o sr. dr. proferido tais críticas àquelas duas nulidades há dois meses, elas próprias serviçais delegadas políticas, e em boa verdade teria merecido os mais entusiastas encómios no realce de uma assustadora falta de liderança na gestão deste processo de saúde pública. 

Agora, neste momento, a sua atitude torna-se simplesmente em mais um dos muitos símbolos da hipocrisia que grassa irrestrita na classe política deste país. Rio, em magnânimo contributo para as festividades, vem ele próprio defender aquelas senhoras. 

Graça Freitas, memória possivelmente já tolhida pelo peso da idade, afirma que as protecções individuais foram introduzidas no momento certo. Tão certo que temos apenas pouco mais de três mil e quinhentos profissionais de saúde infectados. E consegue afirmá-lo com um sorriso na face, embora alguma exasperação na voz, naquele exacto tom que a sra. professora utiliza com um aluno traquina na escola primária. 

Costa irrita-se nas reuniões por observar que a realidade não se ajusta à narrativa. 
Marcelo, sempre disponível para mais uma cerimónia, vai simbolicamente abrir fronteiras. 

A manifesta falta de liderança que observamos desde o início, e por início tenho as medidas extraordinárias implementadas na China há tantos meses, o discurso daquelas duas senhoras seguindo a batuta desses dois mestres de cerimónia e cartomantes da felicidade que são o nosso PM e o nosso PR, não podia infelizmente deixar de se concretizar em acto. E na omissão de acção coerente já se esperava uma nau a navegar à vista, documentos normativos ad hoc em catadupa, excepção atrás de excepção (algumas delas da iniciativa do próprio PR, que também é especialista de saúde pública), classes profissionais completamente esquecidas que têm de manifestar-se na via pública para logo a sr. directora-geral aparecer à varanda com o problema resolvido. 

Trump, na sua intrínseca imbecilidade, afirma que vai pedir para se reduzir o número de testes para que não se encontre uma vítima de contágio a cada esquina. 
Costa e Marcelo, fazendo-nos passar por imbecis, afirmam que os números crescem porque se testa mais. 

Exceptuando a forma, mais boçal no primeiro caso, qual é a diferença no conteúdo? 

E o pior de tudo é que isto é apenas mais um dia de política no lodaçal que se tornou este pequeno país. 

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