domingo, 3 de maio de 2020

Proctologia Política

Após uma contida celebração do 25 de Abril - terá alguém a muito custo incutido senso naquela coisa que temos por segunda figura do Estado Português - sem necessidade de "mascarados", que é coisa que convém apenas ao Entrudo, esse folgazão, assistimos há um par de dias à derrogação da limitação ao direito de deslocação em benefício da máquina partidária do PCP e do seu longo braço armado sindical. Reconheço ser actualmente difícil discernir quem é a muleta de quem.

A iniciativa tem uma origem mais obscura, porque excepcional, nesse reaccionário populista que é a primeira figura do Estado.

Atente-se ao decreto daquele sr no sentido da renovação do estado de emergência - pede-se alguma condescendência em relação à verborreia típica destes diplomas:

Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4º, alínea e) do presente Decreto.

De modo a permitir...

Não podemos dar um passeio na praia "mascarados", nem podemos abandonar o concelho de residência - ainda que a casa de férias, para a qual não convidaremos amigos, seja mais espaçosa e próxima da natureza.

De modo a permitir...

Há, no entanto, uma salvaguarda para mitigar o efeito de argumentos destes críticos mais irascíveis: com os limites de saúde pública previstos no artigo 4º, alínea e). 

Dita a peculiar alínea e):
e) Direito de reunião e de manifestação: podem ser impostas pelas autoridades públicas competentes, com base na posição da Autoridade de Saúde Nacional, as restrições necessárias para reduzir o risco de contágio e executar as medidas de prevenção e combate à epidemia, incluindo a limitação ou proibição de realização de reuniões ou manifestações que, pelo número de pessoas envolvidas, potenciem a transmissão do novo coronavírus;

Ou seja, nada dita, neste parágrafo vácuo e ambíguo, impregnado de demagogia e benesse em igual medida.

Ou então, como diria a dra Graça, esse paradigma da competência, se o edifício for grande já pode, e como era ao ar livre logo ficou tacitamente caucionado por estes cartomantes da saúde pública.

Os "mascarados" somos nós que ficamos em casa, privilegiados de sofá.

Claro que amanhã toda esta azia política, este nefasto agastamento, será rapidamente afugentada pela debandada na direcção da barbearia mais próxima.

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