quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O relativismo moral do fundamentalismo


Não serão todos, mas são demasiados. 

A esquerda radical mantém a agastada crença autista de que o fundamentalismo ideológico, reaccionário por natureza, é exclusivo da extrema direita. 

Bernardino Soares, em 2003, líder parlamentar à ocasião, indivíduo bem formado e de aparência afável, teve a audácia de afirmar Tenho dúvidas de que a Coreia do Norte não seja uma democracia

Em Março do corrente o seu líder espiritual, Jerónimo de Sousa, ainda secretário-geral do PCP, questionado acerca do escatológico regime da Coreia do Norte, agraciou-nos com esta pérola:

O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia. 
Eu não fazia essa classificação de ser ou não ser. 

E em resposta à incómoda pergunta Pode uma democracia não passar por líderes eleitos mas por um princípio sucessório dinástico, afirmou: 

É uma opinião.

Recordo com um vago enlevo pedante, reconheço, que em 2014, o PCP votou no Parlamento contra um voto de condenação dos crimes do regime comunista norte-coreano. Enfim, são factos relativamente recentes. Não se passaram na Idade Média, como a substância poderia dar a entender. 


Efectivamente há uma lógica subjacente a estas dúvidas. Na velha união soviética a democracia manifestava-se diariamente na camaradagem do gulag. Bons velhos tempos. 

Hoje em dia, na sociedade ocidental é bem mais difícil encontrá-la. Já não esbarramos inesperadamente com ela, a democracia, em cada esquina de um campo de concentração. É necessário agendar uma consulta de psiquiatria para poder usufruir tal comodidade em comprimido anti psicotico. 


E aqui fica um opúsculo fotográfico da sempre saudosa Coreia do Norte, tão aguardado refúgio de aposentação dos membros do PCP, país evoluído sem diabetes tipo 2 no qual apenas uma pessoa é obesa. 






Ordem, entusiasmo e alegria contagiante neste colorido diorama social que 
'não se pode afirmar não se tratar de uma democracia'. 


Em seu favor, nenhum (outro) país democrático consegue realizar desfiles de tão rara beleza e com tantos cidadãos, felicidade estampada no semblante. Basta recordar a recente tristonha cerimónia na Praça dos Restauradores repleta de cidadãos ausentes, pobres políticos desperdiçando a substância, valor e nobreza dos seus discursos com as pombas. 


Felizmente nada há do foro mental que uma trepanação competente não resolva. Ou uma lobotomia. 


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