terça-feira, 19 de maio de 2020

Números, Comunição Social e Atrasados Mentais


Johns Hopkins


i. 

Todos os dias os tele-evangelistas das 20h reservam um segmento, entre as doutas opiniões dos populares arrebanhados na via pública, para satirizar a manifesta imbecilidade de Trump. Realçam até à exaustão que os Estados Unidos são o País mais afectado pela pandemia - inegável, factual - e decidem omitir o seguinte:

- Os EUA têm uma população de cerca de 310 milhões de habitantes. 
- Espanha, França e Itália têm uma população agregada de perto de 170 milhões. 
- Para uma razão de habitantes de 55% a de vítimas nestes três últimos é de 95%.

Os mesmos tele-evangelistas, e seus reputados comentadores generalistas, papagueiam frases feitas, abordam a questão das vacinas como se fosse uma prova de F1, e nem por um momento têm permissão para criticar a China. 

Como se a pandemia em si já não fosse suficientemente assustadora. 


ii. 

Em registo irónico, ainda pudemos observar incontáveis concidadãos a explicar que estavam nas filas para as lojas e estabelecimentos de restauração porque se sentiam emocionalmente desgastados do confinamento que tão diligentemente cumpriram. 

É sabido que o mais eficaz bálsamo de celebração da recém adquirida liberdade é sair de casa para nos enfiarmos numa fila de espera, uma bicha por assim dizer, para fazer umas compras de primeira necessidade: roupa, tomar café, comprar livros e CDs. Os psiquiatras perceberam logo tudo na famosa enchente da ponte 25 de Abril há umas semanas. Há que ter condescendência, não vão as crianças adultas ficar traumatizadas por não estar em bichas há mais de um mês. 

Complementarmente, quase diariamente, além dos bárbaros homicídios, se noticia que agentes das forças de segurança são recebidos com violência quando tentam pôr cobro àqueles infelizes ajuntamentos de tristes que decidiram ser boa ocasião para uma patuscada com música gratuita para todo o bairro. 

Começo finalmente a dar razão ao Guedes de Carvalho:

Que miserável cambada de idiotas e energúmenos. 

Há de facto motivos para ter muito medo. 

Abbott & Costello


O Sr. Feliz e o Sr. Contente

Sr. Feliz: Ó Costa, aquela diversão na fábrica dos popós foi hilariante. O Rio já não vai dormir logo à noite. Bravo meu caro, dezoito valores e um pastel de bacalhau daqui a dois anos. 

Sr. Contente: Obrigado Sr. Presidente, o mérito é todo seu. Não podia ter encontrado mais valente paladino para pugnar na defesa da minha atitude governativa do deixa andar. O Sr. é fantástico! 

Sr. Feliz: eheheh, boa verdade meu rapaz, todos os dias sinto isso ao espelho enquanto faço a barba. Mas tem lá cuidado com o Santos Silva. O Rio ainda tenta aliciá-lo para a corrida, eheheh. 

Sr. Contente: ahahah, não se preocupe. Como as coisas estão ele vai é atrás do Cabrita. 

Sr. Feliz: eheheh, hoje estás inspirado meu rapaz. 

Sr. Contente: É da companhia, Sr. Presidente. Não se esqueça de dizer que não sabíamos o que quer que fosse daquele negócio do Novo Banco que todos assinamos. 

Sr. Feliz: Passei a madrugada a planear, ao som de Tannhäuser. Até me deu para cantar. Vamos dizer que a culpa é do Centeno e que não há problema nenhum em mandá-lo para o BdP. 

Sr. Contente: Sr. Presidente, não é boa ideia metê-lo no BdP! 

Sr. Feliz: Qual quê?! É só conversa para os gentios. Alguém tem de ser o garrote, e se dissermos que foi o Cabrita ninguém vai acreditar. 

Sr. Contente: ahahah, o Sr. é um génio!

Sr. Feliz: Pois sou, pois sou... 



O Presidente da República reitera a sua posição, ontem expressa, segundo a qual não é indiferente, em termos políticos, o Estado cumprir o que tem a cumprir em matéria de compromissos num banco, depois de conhecidas as conclusões da Auditoria cobrindo o período de 2018, que ele próprio tinha pedido há um ano, conclusões anunciadas para este mês de Maio, ou antes desse conhecimento. Sobretudo nestes tempos de acrescentados sacrifícios para os Portugueses.

Isto mesmo transmitiu ao Senhor Primeiro-Ministro e ao Senhor Ministro das Finanças. O Presidente da República não se pronunciou, nem tinha de se pronunciar, sobre questões internas do Governo, nomeadamente o que é matéria de competência do Primeiro-Ministro, a saber a confiança política nos membros do Governo a que preside.



"o que se passa no mundo, o que se passa na Europa e o que se passa em Portugal exige que as pessoas saibam sacrificar os seus interesses pessoais fazendo passar à frente o interesse coletivo".

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente, a respeito da recandidatura. 


domingo, 3 de maio de 2020

A estratégia militar na perspectiva de um civil

não se substitui os generais a meio da guerra! 
(é tão óbvio que a sra deputada deve ser retardada) 

O sr PM Costa entusiasma-se na oratória - quem sabe se não será o grande prazer da sua vida falar em público para pessoas que apreciam aquilo que ele diz - e, ocasionalmente, deixa-nos deslumbrados com estas pérolas de sabedoria.

Esta em particular demonstra a sua erudição, citada directamente desse assombroso clássico, essa obra seminal de Sun t'Zé:

A arte de como perder uma guerra.

Consta ser obra de cabeceira de todos os membros do governo, de Rio, que lhe segue o exemplo, e do caríssimo sr presidente da AR, Ferro - O Septuagenário - que não fica em casa e dá o peito às balas sem mascarilha - levou à letra o conselho de Sousa Tavares.

Marcelo, cicerone mas também PR, sempre um pouco além da manada de intelectos mais mundanos, entretém o espírito com a Cartilha Maternal, de João de Deus. Homem d'O Povo que faz de conta ser.

A estratégia é a aquela que esse grande gestor (e comendador) que foi Baba seguia, com excelentes resultados, nas conversas com o próprio Espírito Santo para financiar (obviamente com dinheiro que não era seu) os eventos organizados por aquele sr que é genro de um outro sr que se pensa já ter nascido duas vezes:

Seja o que Deus quiser. 

No geral é boa prática deferir para O Omnipotente. Infelizmente nem sempre a insondável vontade de Deus se encontra alinhada com os interesses do Povo. Facto que os verdadeiros comunas sempre souberam, mérito lhes seja reconhecido.

Por conseguinte, fiquemos assim, com uma estratégia tão apta quanto outra qualquer:

Seja o que Deus quiser.


(dirá o estudante avisado: espero que Deus não queira negas) 

Numerologia e Cinismo

Nesta ocasião em que Estamos ON(!), cérebros já quentinhos e a carburar bem, e a dra. Graça e a dra. Temido executam as mais requintadas piruetas argumentativas a respeito do uso de máscaras, tendo em consideração o sinistro historial das suas declarações, mérito que qualquer funâmbulo profissional lhes reconheceria, será porventura oportuno acompanhar os números da tragédia:

Johns Hopkins
País     População    Infectados    Vítimas mortais
Coreia do Sul 50M 10.793 250
Formosa 23M 432 6
Grécia 11M 2.620 143
Israel 9M 16.193 230
Japão 126M 14.571 474
República Checa 10M 7.755 245
Portugal 10M 25.190 1.023

Somos o milagre que a comunidade internacional reverencia. Para os tolos e os demagogos.

No entanto, encontra-se com frequência artigos de uma direita reaccionária, como este, que escolhe esquecer os custos humanos da inacção na contenção.

Observe-se o exemplo da Suécia: 22 mil casos confirmados e mais de duas mil e seiscentas vítimas; taxa de letalidade de 12%.

Tome-se como heurística a opinião defendida naquele texto, 60% a 70% de contágio da população para obter a mítica imunidade de grupo.

Aplique-se isto a uma população de 10 milhões de habitantes. Melhor, vamos ser conservativos e considerar que 3 milhões de infectados "resolveria o problema" - para não se argumentar que se desconsidera o efeito enviesado das pessoas de idade.

Nestas circunstâncias, de acordo com os postulados do sr que escreveu aquele artigo, cerca de 360 mil vítimas mortais seria aceitável neste País para preservar o sistema económico e finaceiro do macro bloco europeu. Não me atrevo a efectuar semelhante exercício para a população global da União.

Esquece, aquele sr, que a única coisa que impede que a taxa de mortalidade iguale a taxa de letalidade é exactamente a implementação de medidas de contenção. Esquece ainda que a única coisa que distingue uma nota de 20€ de uma outra de 50€, além das figuras, é o número que lá está estampado, e que todo o capital que realmente tem significado se encontra desmaterializado e armazenado em registos de super computadores.

Não, não interessa preservar o Sistema, salvá-lo a todo o custo de uma morte iminente. É deixá-lo morrer e criar algo diferente, um pouco mais igualitário.
Por uma vez que seja.


P. S. Perdeu-se a oportunidade de implementar temporariamente o rendimento universal garantido, considerando a moratória de créditos e o "tele-trabalho", que será essencial no prazo de menos de uma década para garantir que a revolução tecnológica que já aí está à porta não nos deixará a quase todos na mais ingrata penúria. Mas isso é assunto para outra ocasião, e para outros políticos menos míopes e menos obcecados com as redes sociais do dia seguinte. 

Proctologia Política

Após uma contida celebração do 25 de Abril - terá alguém a muito custo incutido senso naquela coisa que temos por segunda figura do Estado Português - sem necessidade de "mascarados", que é coisa que convém apenas ao Entrudo, esse folgazão, assistimos há um par de dias à derrogação da limitação ao direito de deslocação em benefício da máquina partidária do PCP e do seu longo braço armado sindical. Reconheço ser actualmente difícil discernir quem é a muleta de quem.

A iniciativa tem uma origem mais obscura, porque excepcional, nesse reaccionário populista que é a primeira figura do Estado.

Atente-se ao decreto daquele sr no sentido da renovação do estado de emergência - pede-se alguma condescendência em relação à verborreia típica destes diplomas:

Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4º, alínea e) do presente Decreto.

De modo a permitir...

Não podemos dar um passeio na praia "mascarados", nem podemos abandonar o concelho de residência - ainda que a casa de férias, para a qual não convidaremos amigos, seja mais espaçosa e próxima da natureza.

De modo a permitir...

Há, no entanto, uma salvaguarda para mitigar o efeito de argumentos destes críticos mais irascíveis: com os limites de saúde pública previstos no artigo 4º, alínea e). 

Dita a peculiar alínea e):
e) Direito de reunião e de manifestação: podem ser impostas pelas autoridades públicas competentes, com base na posição da Autoridade de Saúde Nacional, as restrições necessárias para reduzir o risco de contágio e executar as medidas de prevenção e combate à epidemia, incluindo a limitação ou proibição de realização de reuniões ou manifestações que, pelo número de pessoas envolvidas, potenciem a transmissão do novo coronavírus;

Ou seja, nada dita, neste parágrafo vácuo e ambíguo, impregnado de demagogia e benesse em igual medida.

Ou então, como diria a dra Graça, esse paradigma da competência, se o edifício for grande já pode, e como era ao ar livre logo ficou tacitamente caucionado por estes cartomantes da saúde pública.

Os "mascarados" somos nós que ficamos em casa, privilegiados de sofá.

Claro que amanhã toda esta azia política, este nefasto agastamento, será rapidamente afugentada pela debandada na direcção da barbearia mais próxima.

domingo, 19 de abril de 2020

O Milagre que é Portugal


O senhor Presidente, com aquele dissimulado enlevo que se lhe conhece sempre que posto à frente de um microfone, voltou a deslumbrar-nos, e ao povo, com esta homilia de pendor heróico.

Vá-se lá perceber por que artes mágicas, este país, cujos responsáveis pela gestão da crise, e seus serviçais, agiram com toda a incompetência que tinham à mão, conseguiu apesar de tudo manter um número de vítimas estatisticamente baixo em relação aos exemplos que mais se lhe aproximam na inacção e leviandade - Espanha e Itália.

Felizmente, a verificar-se a súmula estatística oficial apresentada diariamente antes da fastidiosa enumeração de fiel de armazém e das respostas esquivas e politicamente correctas, embora ocasionalmente cedendo a uma mal contida exasperação, e não obstante a tragédia que tantas pessoas estão a viver, realmente teremos sido agraciados pela indulgência de um qualquer taumaturgo.

Recorrendo aos dados publicados aqui, porque por qualquer motivo de horário de expediente a OMS nunca tem os dados mais recentes da DGS, os dados com os quais deveriam comparar-nos (sempre em toada omissa por parte dos tele-evangelistas das 20h):

Johns Hopkins
País     População    Infectados    Vítimas mortais
Coreia do Sul 50M 10.661 234
Formosa 23M 420 6
Israel 9M 13.491 172
Japão 126M 10.797 236
República Checa 10M 6.701 186
Portugal 10M 20.206 714

Obviamente a OMS tem passado um mau bocado com a questão da Formosa...
p.s. A Grécia, com pouco mais de dois mil infectados e uma centena de vítimas! 

Com mais de dois milhares de profissionais de saúde infectados neste país de miséria, com falta de tudo, excepto de tempo para se preparar.

Com lares e autarquias ainda aguardando testes de rastreio, edis entregues a si próprios, EPI em falta por todo o lado.

Não sr Presidente, o milagre foi mesmo Milagre, efectivo ou estatístico de mão humana, e o sacrifício, como é habitual, recaiu sobre os mesmos do costume - os privados -, porque a graça nas estatísticas é inversamente proporcional ao quadrado da negligência, estupidez e inacção com que esta crise foi abordada.

E o estado providência novamente protegeu a classe clientelar de "funcionários públicos" próximos do aparelho.

E a estupidez continua manifesta, a assombrar-nos na nossa vigília:

1. Há excepções para o 25 de Abril, como se a maturidade de uma democracia se medisse pelo fragor das festividades da própria classe política responsável pela sistemática erosão da qualidade de vida neste país. Classe essa habituada à inimputabilidade dos seus actos, que se julga a si própria, e é de facto, acima da lei aplicável aos comuns mortais.

2. Segue-se a excepção do 1 de Maio para justificar mais tarde a permissividade no 13 de Maio, não vá o patriarcado exasperar-se também.

3. Ainda não se chegou a um consenso acerca do uso de máscaras. Ainda! De perigosas (ou factor de risco) a pode-se utilizar com cuidado a deve-se utilizar em hospitais. E em breve em cinemas, feiras e escolas, nas festas populares, nas sessões de beijinhos e abraços e nas barraquinhas de farturas. Será curioso observar o exemplo da AR no dia 25 - talvez máscaras de gás, P3, não vá dar-se o caso de os fascistas organizarem um assalto ao parlamento.

4. Mas há um novo argumento: estivemos sempre em linha com as recomendações da OMS. E assim se justifica tudo, as inversões nas máscaras, o milagre que os outros vêem no nosso país, as contradições acerca do efeito da pandemia na economia e nas finanças: ora terá impacto ora talvez não; austeridade não, ou talvez sim, ou talvez fique entregue à graça de Deus como tudo o resto. Afinal até tem funcionado.

Conseguiriam negar a existência de um sapo que lhes saltasse para a testa.

Marcelo está revitalizado, após bem-aventurado retiro espiritual, e não quer morrer na praia, como o povo diz. Será recatado nos mergulhos vespertinos.
Costa já recuperou a sua oratória balofa e tudo lhe parece simples. Só as transições são difíceis. Não queria estado de emergência e agora não quer sair dele.
Rio é um desaparecido político, mais preocupado com a intriga bizantina do PSD que em ser líder de oposição.
Ferro Rodrigues, esse septuagenário que não deveria sair de casa (de primeira habitação), sente-se recorrentemente enfastiado com os deputados e não dispensa o borrego e os trombones no dia 25.

Entramos na página da presidência e a hiperligação Covid-19 leva-nos a propaganda política de uma demagogia atávica de outras eras e uma insanidade desesperante: Estamos ON. Estamos ON o quê? Ligaram os cérebros, finalmente? É que não parece.

E temos o Camião da Esperança. Podia este país ser mais serôdio, mais atrasado, histérico e deprimente?

O que interessa é que a classe política já regressou ao seu ponto quiescente, ao seu funcionamento nominal, e já integrou esta grotesca tragédia no seu discurso. Já assimilou a crise.

Estamos perdidos.


Portugal, Portugal, 
de que é que estás à espera? 
Um pé dentro da galera 
e outro no fundo do mar.
(Palma, o último Cohen português)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Prodigioso

Nestes tempos infelizes e sorumbáticos que, para nós ocidentais de idade não muito avançada e bem alimentados, parecem constituir um limbo fora da história, ainda é possível encontrar eventos ou atitudes tão peculiares que nos furtam um sorriso à face. 

O nosso senhor Presidente da República, emérito académico, ele próprio condecorado com a comenda da Ordem de Santiago da Espada e com a grã-cruz da Ordem do Infante, em entrevista recente gravada no Palácio de Belém, mostrou surpresa por não ser agora imune ao novo vírus. 

Disse o senhor Presidente:

Depois da quarentena, fiz agora há poucos dias um teste dos novos que chegaram de imunidade, que já é de uma nova geração, os chamados testes sorológicos. 

Posso dizer-lhe que não estou imunizado porque não tive nenhum contacto com nenhum portador de covid-19, o que é uma ironia, porque se havia pessoa que contactava de próximo com os portugueses nas semanas anteriores era eu. Pois não tive nenhum contacto com ninguém com covid-19

Há de facto várias ironias, para além daquela que é nomeada pelo próprio.

A mais interessante é a que decorre da lógica da evasão.

Um evadido sente-se livre, no entanto não se torna imune a grilhetas logo que esbarre novamente com a realidade. Um desertor pode escapar às balas mas dificilmente lhes será imune se algum dia voltar ao campo de batalha.

O que é irónico nestas epónimas hipérboles é o facto de o sujeito imaginar que a fuga torna alguém imune a qualquer sinistro miasma.

O outro motivo de sorriso é a expressão que tantas vezes o senhor Presidente utiliza, e que tantas outras ouvirá pela voz do seu próprio temperamento:

Porque se havia pessoa que ... 

De facto.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Perplexidade

Orientação 009/2020 da DGS, versão de 7 de Abril, 
Lares de idosos, acolhimento de crianças e jovens em risco, e similares.

Capítulo 2:
A instituição deve comunicar que, por motivos de saúde pública, não são permitidas visitas.

Capítulo 5:
Nunca juntar no mesmo espaço casos suspeitos e casos confirmados.

Capítulo 7:
O objetivo de fazer testes não é dar falsa tranquilidade com um teste negativo, mas sim,  detetar precocemente casos positivos e isolá-los, atendendo à elevada vulnerabilidade dos utentes/residentes.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O Triunfo da Estupidez

De Trump e Bolsonaro, da grande vontade de regressar ao trabalho da população dos Estados Unidos e da gripezinha a enfrentar como um homem e não como um moleque no Brasil, da leviandade do governo Sueco até à comunicação social televisiva portuguesa, que diariamente realça os números da tragédia em Itália e Espanha e cuidadosamente evita sequer mencionar a situação da República Checa e da Coreia do Sul, apesar de esta última figurar sempre nos gráficos logarítmicos que aqueles agentes de entretimento com as calças aborrecidas com os sapatos apresentam, em notório acto de censura, é triste observar o triunfo da estupidez dos dirigentes políticos que na sofreguidão de evitar quebras na actividade económica conseguiram tomar decisões que, além da inacreditável tragédia humana, tiveram como consequência contribuir para a aniquilação daquilo que tanto tentaram proteger no início.

Chega-se a discutir novamente no mundo ocidental, em artigos de opinião, o utilitarismo e o valor da individualidade na perspectiva global da sociedade. Faz-se triagem daqueles que vão morrer porque não há meios suficientes nos hospitais italianos.

O uso generalizado de máscaras, indisponíveis por sistemática incompetência dos diversos governos, ridicularizado pela sra directora-geral da saúde, negligenciado pelos políticos que tomaram conta da OMS e de todas as restantes organizações internacionais, acto do mais elementar bom senso quando nos referimos a patologias respiratórias muito graves e de transmissão assintomática, continua a ser objecto de debate neste país.

A DGS solicita parecer, típico de gente que não gosta nem tem por hábito assumir responsabilidades, o parecer é emitido no próprio dia, e como a conclusão use-se de imediato que já vem com meses de atraso não agradou, por pura impudência e orgulho mesquinho de uma sra que já deveria estar aposentada, defere-se para as recomendações da OMS.

Nunca o colapso do mundo ocidental esteve tão próximo. O vírus parece ser, neste momento, apenas o catalisador. É a estupidez política que está a matar tanta gente.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Funâmbulos

Diz-nos o sr director-geral da OMS que devemos manter uma alimentação equilibrada, realizar exercício físico como ioga e não ver as notícias, que causam ansiedade.

O mesmo sr que demorou três semanas a descobrir que estava a olhar para uma pandemia, que está prestes a alterar a recomendação a respeito do uso de máscaras (porque está a funcionar maravilhosamente nos países menos afectados, há quase dois meses!), é o sr que vem dizer-nos que devemos ter bons hábitos de saúde e talvez desenvolver talentos de costura para evitar a tv, ou rezar (é uma chatice para os ateus, daí a costura).

Quando o dinheiro para comprar alimentos começa a escassear, posso garantir, caro sr, que as "notícias televisivas" são o menor dos males.

Por cá o sr secretário de estado da saúde continua a entreter-nos com os números dos EPI que estão para chegar até ao final de Maio!
Até o próprio se engana dizendo que estão para chegar até final de Março. É inacreditável não é sr secretário? Não se preocupe. Nós pensamos o mesmo.

Muito obrigado pela atenção e por avisar-nos que não devemos ficar todos doentes ao mesmo tempo.

É só continuar o bom trabalho.

terça-feira, 31 de março de 2020

Cerco de Sanidade


Primeiro cercamos o Porto
(pelo Douro) 

Graça Freitas, na inimputabilidade que cada vez mais lhe é reconhecida, a sra que teve a insolência de criticar o encerramento prematuro de escolas e as medidas de contenção que a Madeira implementou à revelia da sua (falta de) "autoridade", teve a audácia de afirmar na conferência de imprensa de ontem:

O Porto neste momento, do ponto de vista dos recursos materiais e humanos de que precisa, tem estado a receber todo o apoio nacional ... um cordão sanitário, ou cerca sanitária, está neste momento a ser equacionado e provavelmente será hoje tomada uma decisão nesse sentido. 

A ideia tinha tanto fundamento científico que foi hoje recusada na conferência de imprensa homóloga já com outros protagonistas. Dir-se-ia que aquela sra foi confinada pelos pares e por uma cerca sanitária anti-estupidez.

O facto de o autarca da CM do Porto, Rui Moreira (pessoa com quem não simpatizo, que aproveitou o comentário de futebol para ganhar presença mediática e que mantém uma obscura disputa de usucapião com a própria autarquia!, que apesar disso tem mostrado a liderança proactiva de quem vem do sector privado, liderança completamente omissa no governo central), não ter sido informado e acabar, como todos nós, a saber daquela intenção pela comunicação social, mostra bem o grau de desnorte e descompensação a que a DGS chegou.

O próprio ministério da saúde nega que a ministra tivesse conhecimento. Todos os autarcas de região negam conhecimento do delírio da sra Graça. E fica a dúvida se o cerco seria ao distrito, ao concelho, à área metropolitana ou aos Teletubbies.


A DGS, que nem sequer é capaz de revelar dados "exactos" acerca do número de infectados, que conseguiu efectuar uma "dupla contagem" (?!) dos casos do distrito do Porto, está desesperadamente necessitada de uma nova liderança. Este doloroso arrastar é já paroxísmico.


intermezzo

Numa ocasião em que a disléxica comunicação social televisiva apela à calma enquanto nos intervalos do "telejornal" passa trechos panfletários com as melodias mais depressivas que encontra (sim, já encontraram um leitmotiv para o SARS-CoV-2, por muito impressionante que possa parecer), esse radical de extrema esquerda que é o Daniel Oliveira, quase que espumando pela boca sempre que ouve alguém de direita, vem criticar veementemente o autarca do Porto por minar a autoridade das "Autoridades de Saúde", que são actualmente a Voz do Senhor, autoridades essas que voltaram atrás naquilo que afirmaram na véspera. Este é o "comentador" que a respeito das sistemáticas greves nos transportes de Lisboa afirma que "uma greve é para doer" e que a respeito da greve dos transportes de matérias perigosas tece os mais rasgados insultos.

Este País cada vez mais parece um manicómio de inimputáveis no qual as pessoas com alguma sanidade ficam confinadas às suas celas e os psicóticos tomam o lugar dos psiquiatras.

domingo, 29 de março de 2020

O Incapaz, O Desaparecido, As Trogloditas e o Homem Invisível


Com a excepção de bom senso, prudência e
competência, nada mais faltou. 

"Até agora não faltou nada e não é previsível que venha a faltar”. 

Se o sr PM se referia à sistemática incúria das autoridades não é possível deixar de lhe dar razão. Ali à direita, furtivo, o tutor do porta moedas público, o homem invisível da crise neste miserável país onde falta tudo, o mestre das cativações e do desinvestimento. Nós ouvimos pandemia mas aos seus ouvidos soa despesa pública




27.03

António Costa deslocou-se ao aeroporto para saudar o primeiro avião (!) de transporte de equipamentos de proteção individual, máscaras, fatos e cobre botas. Devia ter-se feito acompanhar pelo Cardeal-Patriarca para dar as boas vindas ao salvador. Centeno, certamente nos bastidores, verificava se a guia de remessa estava correcta.

Seguem-se as habituais contradições:
Portugal está a «reforçar as compras e a receber mais donativos. Em breve, todos estes equipamentos, tão necessários, estarão a ser distribuídos onde fazem mais falta».

Teria tido sentido se proferido no início de Fevereiro.
Miserável País, sempre de mão estendida.



28.03

Todo o super herói tem a sua capa. 

Visivelmente aborrecido com a pergunta acerca da autoridade moral para apelar às pessoas que fiquem em casa enquanto anda a passear e a incomodar quem trabalha, responde:


estou em trabalho, foi uma excepção intencional 

é necessário mostrar que ainda há quem trabalhe

Fez vídeo conferências, tocou imensas vezes na face e nas pálpebras com as mãos, atrapalhou-se a colocar a máscara, espantou-se com o bom estado das pessoas a trabalhar em casa, que estavam fantásticas.


Em contraponto, ou em conformidade, vá-se lá perceber, milhares de portugueses decidiram passar a tarde na fila de trânsito do acesso à Ponte 25 de Abril, todos eles a caminho do trabalho, na praia. 



29.03



Almirantes desta Batalha Naval,
e o raio d' A Curva. 


Graça Freitas

"Os portugueses têm de entender que não estamos a terminar nada, estamos só a iniciar um percurso, depende de nós contrariar a atividade de um vírus que é extremamente inteligente, extremamente agressivo".

É necessário "interiorizar que isto não é coisa de uma quinzena, de dois ou três meses, até haver uma vacina esta situação vai durar meses".


Ah, infelizmente agora, já tão tarde, parece grave.
Afinal não é uma gripezinha que provavelmente nem afectaria Portugal.
Sim, o vírus, sem cérebro, tem revelado mais inteligência que os governos de tantos países juntos.

Dê o exemplo da Coreia do Sul, minha sra, dê, se tiver coragem.



Marta Temido

A incidência máxima da infeção “estará adiada para o final de maio”.

Já não será a 14 de Abril.
Vamos inventando a cada dia que passa.


isto indicia que as medidas de contenção que todos temos adotado, designadamente ficar em casa a não ser para ir trabalhar,
estão a ser efetivas”.

Não. Isto indica que além de irresponsável esta sra
tem sérios problemas com a verdade.


Continuamos a estimar que venhamos a ter um número muito elevado de casos de infeção COVID”.

Além de problemas com a verdade tem problemas de memória e atrapalha-se na conjugação verbal: "Continuamos a estimar"?! Continuamos desde quando, hoje de manhã?!


PARA QUANDO A EXONERAÇÃO DESTAS DUAS INCOMPETENTES?

Não há um único professor universitário disponível que seja
sério, sensato, competente, credível e apartidário,
que possa substituir estas duas coisas?

sábado, 28 de março de 2020

O Inoportuno


É uma outra coisa.

O Sr. Presidente, preocupado com as festividades após tão longo retiro, sentiu a necessidade de convocar uma conferência de imprensa para anunciar com pesar o cancelamento desta cerimónia. As perguntas são obviamente aquelas que já espera.

De uma outra fonte:

"Vejo-me constrangido a decidir a anulação das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que estavam previstas no mês de Junho, para o Funchal e junto das comunidades portuguesas na África do Sul... Lamento naturalmente tal decisão, mas a situação actual a isso exige.

A respeito da fotografia, após este evento, ipsis verbis:

"É preciso manter a compressão na mola. [?!]

"Vale bem o sacrifício de uma Páscoa vivida em termos tradicionais em prol da saúde.

"Quando se enfrenta um combate, uma guerra, ninguém quer mentir a ninguém

"O crescimento tem sido menos exponencial do que se esperava... A pressão sobre o sistema de saúde é menor, o número de contaminados é menor e o pico pode deslocar-se.

"Preocupado [mas] optimista ... os portugueses estão a conseguir que a curva não seja a mesma de outros países.

E, finalmente, a boçalidade mais impressionante, quando questionado acerca do aparentemente reduzido número de testes a ser realizado: 

Um negativo pode "dar uma falsa sensação de segurança" a um cidadão que pode ficar infectado no dia ou na semana seguinte. 

Além da recorrente e alarmante garantia de que, nesta situação de aflição e emergência nacional, os políticos não estão a mentir a ninguém, as palavras deste sr são uma ofensa à memória das vítimas e à inteligência dos vivos.

Comfortably Numb


Era uma vez...


António Costa, num raro momento de lucidez política, após a reunião do Conselho Europeu de quinta-feira passada, e por muito discutíveis que sejam os seus argumentos considerando as medidas financeiras que estão em implementação, deixou uma ideia que é fulcral no actual estádio de falta de desenvolvimento do projecto europeu:

Se os líderes dos diversos países não se entendem a respeito de uma ameaça à civilização como não enfrentávamos desde a segunda grande guerra então acerca de que assunto algum dia se haverão de entender?
(paráfrase)

Após décadas de subsídios geridos por míopes políticos com intelecto equiparável ao das anémonas, como temos o exemplo estridente do sr prof Cavaco Silva - esse autocrata que raramente se dignava aparecer na Assembleia da República, que enriqueceu ao sabor de incompreensíveis participações financeiras, negócios de imobiliário e lobbying, o homem sério rodeado de crocodilos -, outros incapazes à procura de melhor pusadeiro - Guterres e Durão, e com que sucesso! -, incompetentes de permeio, inenarráveis como Sócrates, O Arguido de tantos alegados crimes, em parelha com o insensato sr comendador Teixeira dos Santos, esse homem da dívida pública, e, finalmente, o perdulário Privatizador implacável que foi Passos Coelho, responsável pela venda a retalho daquilo que ainda restava, após tantas décadas de desvario, dizia, após tantas décadas de anões políticos a gerir os seus interesses e, indirectamente, os interesses da função pública, que constitui a base eleitoral de qualquer partidozeco de governo, é mais que compreensível e fundamentado que os países do norte repudiem em absoluto a mutualização da dívida.

Não é à Europa que devemos agora, nesta encruzilhada do destino, exclusiva e incisivamente, apontar o dedo. Basta começar a olhar para a história recente do nosso pequeno País.  

terça-feira, 24 de março de 2020

Distanciamento relaxado





INFARMED, Lisboa, 

Sessão de apresentação “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal”.


Desfaçatez mórbida


22 de Março 

“Tinham que ter pensado [num plano de contingência] porque essa informação foi disseminada há bastantes dias ou semanas”

“Preparar-se para responder a uma situação deste tipo: ter profissionais de segunda linha prevenidos para intervir, ter as equipas a funcionar em espelho, para cada um que está a trabalhar ter outro em casa para se proteger, em turnos rotativos semanais”

“Não podemos deixar 33 pessoas numa entidade, que por acaso não é do Estado, só com dois colaboradores. Não podemos internar essas pessoas, nem transferi-las para outros lares. Temos de garantir soluções para aquele caso concreto”

Marta Temido, min. Saúde
a respeito de um Lar de Idosos em Famalicão 



Alguma cronologia... 

5 de Fevereiro

"[o coronavírus] até pode ter consequências bastante positivas para as exportações portuguesas do setor agroalimentar para os mercados asiáticos"

*A Ásia e a China têm um problema de saúde publica, nomeadamente com a peste suína africana, e também isso se veio a demonstrar enquanto um potencial para promover as nossas exportações"

Maria Albuquerque, min. da Agricultura




6 de Março

"Não estão desaconselhadas visitas [a lares de idosos], não há ainda esse grau de risco", "à data, só há casos esporádicos em Portugal, ainda não há transmissão comunitária ativa do vírus".

Graça Freitas, directora geral de Saúde 


Itália: registados 4.636 casos, Governo limitou por decreto as visitas de parentes a lares e as saídas dos idosos sem ser em casos absolutamente necessários.

China: 3.456 vítimas. 



12 de Março

Conselho Nacional de Saúde Pública rejeita encerrar escolas compulsivamente
não se justifica o encerramento de museus.




22 de Março

“nada nos deve deixar descansados, nem baixar a guarda, nem dar uma falsa sensação de segurança. É como as máscaras”

“todos os óbitos que ocorreram em Portugal correspondem ao perfil clássico: pessoas idosas e com múltipla patologia – grave na maior parte das circunstâncias”

Graça Freitas


“todos juntos vamos ser capazes de vencer o vírus”

Marta Temido




23 de Março 

"Até agora, não faltou nada [equipamento] e não é prevísivel que venha a faltar o que quer que seja"," Os portugueses têm tido grande sentido de responsabilidade"

António Costa, 1.° min.

há quem discorde



sexta-feira, 20 de março de 2020

Bête noire





Após a desastrosa negligência do partido comunista chinês na contenção, logo na origem, do problema de saúde pública que viria a tornar-se esta terrível pandemia, causa de um inacreditável número de vítimas por todo o mundo, negligência essa exacerbada pelo medo de transmitir más notícias no sentido ascendente da rígida hierarquia daquela implacável ditadura, que foi capaz de ostracizar e prender os médicos que relataram os primeiros casos da doença, observamos uma intensa ofensiva diplomática dos mastins de Xi que julgam poder silenciar a comunidade internacional do mesmo modo que amordaçam a sociedade chinesa.

Infelizmente, num país com uma reles comunicação social como é o nosso, todos aqueles que, no mediatismo dos seus cargos, apontam o dedo ao governo chinês são imediatamente ridicularizados, enquanto as obnóxias atitudes daquele tenebroso governo, então e agora, são cuidadosamente esquecidas.

É muito triste o estado a que chegamos.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Ecce homo



Um Homem Circunspecto. 



É verdade caro Sr. PM António Costa, S. Exa. Marcelo regressou do seu auto imposto exílio cheio de vontade de lavar as mãos, cumprindo o acto de profilaxia política mais recomendado dos últimos tempos e deixando-lhe no colo aquilo que ambos mais repudiam: Responsabilidade. 



Se o Exmo. Sr. PR pretende dirimir responsabilidades ou se se trata apenas de um confronto de egos com V. Exa., necessário aos olhos do País após tão invulgar ausência de duas semanas, será algo a esclarecer no domínio da astrologia, da escatologia ou da teleologia. 

No entanto, enquanto lhe outorgava tão deletério miasma, que V. Exa., como é usual, habilmente tratará de delegar em acólito, ministro ou secretário com experiência na gestão de comunicação na Época do Incêndio Florestal, o Sr. PR, supondo-nos todos crianças de cinco anos, conseguiu produzir um triste acervo de peculiares asserções:


"Diz o Povo: mais vale prevenir do que remediar.

Diz o Povo. Aquele Povo sábio que tantas coisas diz. Aquele Povo que tanto bate em pedra (tão) dura que nunca fura. 

Está sempre presente, este bordão linguístico, tanto no discurso dos comunistas, que o precedem de Os Trabalhadores, como no dos Reciclados do Tempo da Outra Senhora. 

O Povo é aquela acéfala quimeta à qual tudo tem de ser pacientemente explicado recorrendo a analogias simples ou a gloriosas hipérboles, e.g. A Guerra. 


"O que seria mais tarde se fosse necessário agir?... Começamos mais tarde mas devemos queimar etapas.

Infelizmente já é "mais tarde", cerca de um mês e meio mais tarde. Nada se "Preveniu". Resta "Remediar". 

Mas o sr. PR tem a seu favor o facto de ser um excelente cicerone e um péssimo gestor de crises, à semelhança de V. Exa. 
Enfim, a cada qual as suas próprias alergias. 

Remata com uma analogia desportiva, para que "O Povo" compreenda inequivocamente a sua tardia preocupação. Essa preocupação de quem ainda há um par de semanas, antes do merecido retiro espiritual, se manifestava peremptoriamente a favor de todas as (in)decisões do governo, imediatamente secundado pela corja clientelar de opinadores que habita a comunicação social contemporânea. 


​E repete, na sua fastidiosa oratória, errando sempre no primeiro tempo verbal: Sabia e sei ... Sabia e sei ... Sabia e sei ...

Sabe-se que não sabia e duvida-se que agora já saiba. 


"O caminho é longo, difícil e ingrato. 

Pena é que a caminhada apenas agora tenha começado. Pena é que a nossa tíbia comunicação social imediatamente tenha incorporado a sua retórica. Essa comunicação social desprezível que, na sua estranha recém adquirida superioridade moral, é capaz de criticar idêntico desaparecimento político do rei de Espanha no oblívio da atitude do nosso Sr. PR. 

A mesma que é tão pronta a relatar os disparates de Trump e tão esquecida a assinalar as responsabilidades de Xi. 




Toda esta pantomina seria objecto de gracejo não fora a situação tão trágica. 

Resta-nos rezar. 

segunda-feira, 16 de março de 2020

Detonação


Faleceu hoje o nosso concidadão que se tornou a primeira vítima nacional do SARS-CoV-2.

Poderão António Costa e Mário Centeno, Graça Freitas e Marta Temido, enfrentar a família da vítima e afirmarem, sem a mínima réstia de pedantismo e orgulho, que fizeram tudo aquilo que podiam para proteger a população portuguesa?

Ou limitar-se-ão a proferir, no despudor da irresponsabilidade, no paroxismo da incompetência, na desfaçatez da imoralidade,

"Teremos nos próximos dias mais pessoas a falecer", "Faz parte da história da doença. O SNS tudo fará para reduzir ao mínimo o número de pessoas que tenha desfecho negativo ou que fique com sequelas da doença", "É um momento como se fosse uma guerra e numa guerra temos de ter disciplina"?

res sacra miser

sábado, 14 de março de 2020

Procura-se, vivo...



Sr. Presidente, presumido desaparecido político. 


Não, caro senhor presidente, não se trata de um convite para festividades, beijinhos e abraços, nem sequer para uma procissão. Não ouviu dizer? Estão desaconselhadas.

Apareça, meu caro, tal é o desnorte de políticos e tecnocratas. Apareça para liderar enquanto ainda temos crise, enquanto as pessoas continuam a fazer jantaradas após regressarem do norte de Itália, ou a ir à praia e à discoteca. Venha impor senso nesta triste anarquia, venha explicar às pessoas como lavar as mãos, como cultivar a sua horta no jardim, em vaso ou na sala de estar.

Por favor apareça, nestes tempos de tamanha necessidade. Já não estamos a brincar à apanhada. Nem todos temos o privilégio de, sendo funcionário público, ficar em casa a cuidar da horta, ou do jardim...